Ney Matogrosso parece não perder tempo digerindo seus discos. Enquanto um está nas prateleiras, outro já está no forno. Na primeira metade de 2008, lançou o ótimo Inclassificáveis, e agora nos presenteia com Beijo Bandido, ambos pela EMI. Bem mais introspectivo, o álbum surpreende pela ótima escolha de repertório, que abriga Cazuza, Astor Piazzolla, Luiz Bonfá, Herivelto Martins e outros autores dignos de serem cantados por ele. Por conta deste novo trabalho, Ney bateu um papo com o Blog da Sexy:
Seus discos sempre têm bons repertórios. Como você escolhe?
Eu vou devagar e sempre. Este disco foi da seguinte maneira: quando saiu a caixa Camaleão (2008, com 16 discos reeditados e um inédito), tinha lá um CD com músicas raras, que incluía algumas participações que eu tinha feito. E muita coisa que eu tinha feito e gostaria que estivesse lá não estava. Isso aconteceu com “Tango para Tereza”, “De Cigarro em Cigarro” e “Fascinação”. Comecei a ouvir outras coisas e, viajando em Maceió, recebi “A Cor do Desejo”. Mas isso é um processo lento, que eu já vinha tentando organizar há mais de um ano. Testei esse show quatro vezes, achei que ele estava muito sisudo. Aí, tirei “Tema de Amor para Gabriela” e “Veleiros”, do Villa-Lobos. Não queria uma coisa da canção brasileira. Até tem canção brasileira, mas tem jazz, bolero, Piazzolla, Cazuza…
Ouça abaixo um trecho da música “A cor do desejo”
Sempre tem Cazuza nos seus discos…
É, mas o Cazuza na verdade…Essa música (“Mulher sem Razão”), a Lucinha tinha me mandado há uns cinco anos, com um bilhetinho: “Acho a sua cara”. E acabei esquecendo. Quando fui fazer o disco, queria algo mais rock. E dei a minha versão que não era a versão da Adriana Calcanhoto, que estava na novela.
E esse disco é mais emotivo do que o anterior, não?
É, ele é mais introspectivo e isso era uma necessidade. Eu estava desgastado, porque o Inclassificáveis é muito para fora e eu preciso desse movimento.
Tem algum truque para dar tanta emotividade às músicas?
Eu sou intérprete e eu sou ator. Então eu me coloco à disposição do repertório e esse repertório exige mais sentimentalismo, mais amor. Mas, ao mesmo tempo que é amoroso, é subversivo, porque eu não sou piegas. Eu não tenho esse espírito romântico. Isso pra mim é um exercício.
Você tem estúdio em casa?
Se fosse um compositor, eu teria. Na verdade eu não tenho nem um som decente na sala (risos). Toda vez que lanço um disco, eu penso: vou comprar um som que preste, mas nunca compro.
Mas ouve seus discos?
Ouço quando lanço, porque tenho que ouvir. Mas vou ouvir depois de uns cinco, seis anos.
E o do Secos e Molhados?
Este ainda ouço, de vez em quando, porque é interessante.
E de outros artistas? O que ouviu recentemente que te agradou?
Não ouço muitos discos de estrelas. Estou com o do Erasmo (Carlos), que quero ouvir, mas ouço muito mais discos que me dão nas viagens que eu faço. Descobri que isso é muito bom pra mim. Foi assim que “A Cor do Desejo” entrou neste trabalho.
E tem algum disco que te deixou impressionado?
Olha….não. Tem algumas músicas. Tem uma banda de rock de São Paulo que gostei muito e está na minha lista de pretensões para gravar. São três músicas que gosto e uma que quero cantar. É o Zabomba. Mas não fico fixado em nada. Vou passando e captando aquilo que me interessa.
É essa característica que deixa o disco com vários caminhos?
Isso, justamente. Esse disco é progressivo em um certo sentido. As músicas começam de um jeito e terminam de outro.
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Tenho uma grande admiração pelo Ney, pois acho uma pessoa intergra,de bom carater de uma personalidade muito forte, que participa de causas nobre que fica esquecidas por boa parte de nossas autoridade.