A noite do dia 7 de novembro entrou para a história de São Paulo. No mesmo dia e ao mesmo tempo em que acontecia o Planeta Terra, no Playcenter, em clima indie, rolava, na Chácara do Jóquei, o Maquinária, que certamente agradou quem tinha preferência pelos sons mais pesados, afinal, o line up, com Nação Zumbi, Sepultura, Deftones, Jane’s Addicition e o headliner Faith No More, era garantia de muita guitarra distorcida.

Ainda sob o sol forte, as atrações tupiniquins Nação Zumbi e Sepultura fizeram bons shows, mais curtos e recheados de clássicos. A banda mais importante do metal brasileiro, por exemplo, fechou o show no auge, com “Roots”. Ao entardecer, os californianos do Deftones entraram no palco. O começo do show sofreu com som um pouco embolado, mas, aos poucos, o som foi melhorando e, consequentemente, a performance da banda também. O vocalista Chino Moreno, por exemplo, não poupou esforços nos berros e mostrou competência em clássicos como “Root”, “My Own Summer (Shove It)”, “Knife Prty” e “Minerva” e o show, que começou morno, encerrou apoteótico, com a ótima “7 Words”.
O sol se pôs e entraram no palco os membros da Jane’s Addiction, banda que fazia seu primeiro show no Brasil. O vocalista, Perry Farrell, com roupa de lantejoulas, mostrou que sua voz característica, muito aguda, não sofreu nada com o tempo (a banda teve seu auge no começo da década de 90, com o disco Ritual de Lo Habitual). O guitarrista Dave Navarro também mostrou por que é tão conceituado. Sempre um pouco poser, mas muito competente, o músico tocou belos e inspirados solos. O repertório foi feito inegavelmente para agradar os fãs da banda, tendo em vista que o Jane’s Addiction não tocou nenhuma música do disco mais recente, de 2003. Nas músicas mais conhecidas, como o funk “Been Caught Stealing”, o maior sucesso do grupo, o público respondeu à altura com muita empolgação. A performance visual da banda também foi muito festejada, com direito até a duas modelos dançando perto de Farrell no meio do show e, no fim da apresentação, uma garrafa de vinho, tomada no gargalo pelo vocalista. De todas as bandas que tocaram, o Jane’s Addiciton era uma das menos pesadas, mas, mesmo nas baladas, não fez o público perder o foco.
Depois de um pequeno atraso, por conta da chuva, entrou o Faith No More, banda mais esperada da noite, com o jogo já ganho. Também, com uma cozinha (baixo e bateria) tão boa e Mike Patton, um frontman absolutamente insano e genial, nem tinha como o show ser ruim. A partir do momento que a banda tocou os primeiros acordes de “From Out Of Nowhere”, do disco The Real Thing (1989), o público não parou mais. Patton não cantou apenas, mas falou com o público, fez com que os palavrões “porra” e “caralho” fossem as palavras mais ditas da noite, dançou com um guarda-chuva, se arremessou no chão, foi no gargarejo. Enfim, não mandou bem apenas na música, mas também na performance. Alguns momentos inusitados merecem destaque, como o cover da excelente “This Guy’s In Love With You”, do mestre Burt Bacharach, que fez um bando de metaleiros quererem arranjar um par para dançar acompanhado. A música de entrada da banda, “Reunited”, também foi uma balada muito festejada pelos headbangers de plantão. Só ficaram faltando as músicas “The Real Thing” e “Falling To Pieces”, muito aguardadas pelos fãs do grupo.
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